quarta-feira, 5 de março de 2014

Talento individual e coletivo

Mesmo se um reserva fizer, contra a África do Sul, um gol espetacular, como Lucas quase fez, dias atrás, pelo Paris Saint-Germain, o time do Brasil na Copa do Mundo será o mesmo da Copa das Confederações. Será que nada mudou em um ano? Neste período, Fernandinho, Ramires, Dante e Jefferson foram melhores, em seus clubes, que Paulinho, Luís Gustavo, David Luiz e Júlio César, que nem joga. É apenas um questionamento.
Futebol não é só momento, nem tudo que deu certo, mesmo recentemente, tem de ser repetido. Somente Neymar e Thiago Silva são indiscutíveis. A principal opção de Felipão é a mesma de Mourinho. Quando o Chelsea joga, a seleção treina. Os dois técnicos, quando querem reforçar a marcação no meio-campo, colocam Ramires próximo de dois volantes, saindo Oscar. Como Ramires marca e chega rapidamente à frente, os dois times não perdem a força ofensiva. Ramires ocupa o lugar que era de Hernanes na Copa das Confederações.
Hulk, Oscar e Neymar trocam muito de posição. Quando o time perde a bola e não há condições de tomá-la próximo do outro gol, os meias pelos lados precisam voltar para marcar e proteger os dois laterais, que avançam muito. Se isso não ocorre, o volante ou o zagueiro tem de sair na lateral, deixando vazios no meio.
Se a seleção brasileira não ganhar a Copa, por inúmeros fatores, o motivo já está pronto. Será a falta do clássico meia de ligação, que para a bola e dá o passe decisivo. Esse jogador, que não participa da marcação e que atua em pequenos espaços, é uma visão nostálgica sobre nosso futebol. Nenhuma grande equipe do mundo possui um jogador com tanto privilégio atualmente.
O brasileiro Diego Costa estreia hoje pela Espanha, contra a Itália. Ele é desses atacantes que estão sempre esperando o passe na frente para ganhar do zagueiro, na velocidade e no confronto físico, além de ter boa técnica. Outro brasileiro, Thiago Alcântara, substituto de Xavi, depois ou durante a Copa, deve jogar hoje. Thiago faz falta ao Barcelona. O maior problema da equipe é não ter bons reservas para a maior parte das posições. A Alemanha possui seis ótimos meias (Götze, Müller, Özil, Reus, Podolski e Schürrle), além de Schweinsteiger e Kroos, que podem ser volantes ou meias, mas não têm um excelente centroavante. Na Argentina, Messi, diferentemente do Barcelona, tem um centroavante à sua frente (Higuaín ou Palacio), além de Agüero, que se movimenta por todo o ataque.

Quase pronta
Victor e Dedé têm grandes chances de jogar a Copa, ou melhor, de assistir no banco, já que o terceiro goleiro e o quarto zagueiro dificilmente entrarão em campo, pois não são os primeiros reservas. Dedé não perde uma jogada pelo alto, além de ser uma arma ofensiva. Isso é hoje muito importante. Falta a ele, a Réver (contundido) e a todos os zagueiros que atuam no Brasil, um melhor passe. Todos abusam do chutão. Já David Luiz e, principalmente, Thiago Silva são ótimos neste fundamento.
Acho Victor melhor que Cavalieri. Além disso, o Fluminense já terá um jogador, Fred, e Felipão, esperto como é, vai querer agradar as torcidas de Atlético e Cruzeiro nos prováveis jogos no Mineirão nas oitavas e nas semifinais.

in O Tempo


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